Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

O Prédio, o Tédio e o Menino Cego


O escritor Santiago Nazarian lançará seu quinto livro: O Prédio, o Tédio e o Menino Cego. O lançamento será dia 4 de agosto (terça), à partir das 20 horas no VOLT, um bar na Haddock Lobo esquina com a Fernando de Albuquerque em São Paulo.
Meu primeiro contato com sua obra foi através do livro Feriado de Mim Mesmo. Certo dia de 2006 lendo o caderno de variedades do Diário Catarinense me deparei com uma reportagem (capa do caderno) sobre este autor singular e o título da obra me fez querer comprar o livro de imediato. Em seguida li A Morte sem Nome, depois Olívio (este autografado pelo próprio).

O Prédio, o Tédio e o Menino Cego:


Sete meninos moram num prédio de frente para o mar, um prédio inclinado, prestes a desabar, assim como suas vidas, na dura passagem para a adolescência. Os pais estão sempre longe. A escola está sempre em greve. O ócio e o tédio começam a propor perigosas possibilidades de mudança.
Quando uma jovem professora se muda para a vizinhança, os meninos têm de enfrentar suas próprias masculinidades, descobrindo que, para nascer o homem, muitas vezes é preciso matar o menino. Em seu quinto romance, Santiago Nazarian aborda juventude e maturidade como dois sintomas da mesma doença. Assassinato, prostituição, inseticida e cocaína são os medicamentos, ainda que contra-indicados, numa narrativa de lirismo, sadismo e humor corrosivo. O Prédio, o Tédio e o Menino Cego é um livro de descobertas nefastas. É literatura que quebra vidraças, destrói famílias e desperta zumbis.

Leiam o início do primeiro capítulo aqui:
http://santiagonazarian.blogspot.com/2009/07/recomecando-sorry-com-proximidade-do.html

Demais livros:

Mastigando Humanos


Pânico! Morte! Carnificina! Não, este não é um filme trash. Esqueça tudo o que você sabe sobre a lenda urbana dos jacarés nos esgotos das grandes cidades. Agora é hora de ver o lado cômico dessa história. Em seu romance mais ousado, Santiago Nazarian nos traz um jacaré urbano, frustrado e existencialista, que usa sua bocarra não apenas para mastigar, como também para dissertar sobre sua infeliz condição de réptil que perdeu o reinado sobre a Terra. Convivendo com ratos autoritários, sapos boêmios, tonéis sedutores e outros seres absurdos, ele procura seu lugar na metrópole, logicamente sempre tentando comer alguém.
Nesse caldo estão referências tão díspares como música brega, literatura gótica, ciências biológicas e alta gastronomia, com pitadas apimentadas de um erotismo animal. "Mastigando Humanos" é um livro para quem tem trauma da escola, mas sobreviveu ao underground. É um romance hilário, apetitoso, onde contestação adolescente e ideais filosóficos fluem pela veia sarcástica de Nazarian.

Feriado de Mim Mesmo:


Você mora sozinho, trabalha no seu apartamento, não tem nenhum tipo de relacionamento e todos que fizeram parte do seu passado, inclusive seus pais, se mudaram para a Argentina. Seus programas se restringem a ir ao cinema e passear pelas ruas, para fazer o tempo passar. Mas tudo isso não é um problema para você. O problema não é a solidão, justamente o contrário. É o outro, alguém ou algo que ronda sua vida e seu apartamento, invadindo seu espaço, ameaçando sua rotina. Paranóia, paranormalidade ou esquizofrenia? Santiago Nazarian vai aos limites do indivíduo, num thriller onde cada detalhe faz toda a diferença.


A Morte sem Nome:


Um suicídio por capítulo. Essa é a promessa do segundo romance de Santiago Nazarian. 'A Morte sem Nome' é um quebra-cabeças gótico, ou melhor, um dominó, onde cada frase soma-se à seguinte e coincidência e recorrências vão compondo a história de uma mulher que vive apenas para se matar. Lorena é uma suicida serial, uma mulher sem amor e sem esperança, derramada por páginas e páginas de delírio e poesia. Procurando os restos dela estão um adolescente, um garçom, um feirante e um estuprador. A pergunta não é quem sairá com vida, mas quem carregará a morte em seus braços e escreverá seu epitáfio.

Olívio:


Olívio é um romance de romantismo-absurdo, como define o próprio autor. Narra a história de um jovem simples e conformado, que aos poucos vai se afastando de todos os pilares que sustentam seu cotidiano. A partir de seu encontro com um misterioso escritor, ele passa a questionar as verdades de sua própria vida e se vê perdido num mundo de perversões e surrealismos. De estética kitsch e teor erótico, em meio a uma atmosfera degradada, Olívio explora o processo de construção de um personagem baseado em experiências do autor em bordéis de Curitiba, se apropriando, com habilidade, de uma metalinguagem irônica.

Parati para Mim:


O desembarque de três jovens autores nas ruas tortuosas da bela Parati resultou num livro pitoresco, perfeitamente encaixado na nova leva de escritores que o Brasil vem produzindo: hormônios à flor da pele, uma certa conexão com o mundo moderno e a elucubração da solidão. Cada um se jogou para um canto da cidade, olhos calçados com seus próprios filtros para escrever a mesma quantidade de letras. Não puderam se comunicar, nenhum disse ter contado a história para o outro antes de terminá-la, mas só eles sabem o verdadeiro processo de feitura de Parati para Mim. Chico Mattoso já inicia seu “Emílio” com a mão no peito de uma garçonete. João Paulo Cuenca faz em “A Carta de Pedra” um passeio milimétrico pelo chão e compartilha dores com a personagem Teresa. Santiago Nazarian, apresenta em “A Mulher Barbada” o lado mais esquizofrênico do livro. O próprio narrador inspira dúvidas de quem é, ou o que procura. Parati em três atos.


Vocês também podem acessar o Jardim Bizarro do Santiago na minha lista de blogs ao lado.

***Sinopses retiradas do blog do autor com exceção da Sinopse de Parati para Mim, texto de Juliana Lopes - Istoé Gente.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Bad


* 29/08/1958
+ 25/06/2009



“Eu só queria dizer que estas serão minhas últimas apresentações em Londres. Será o ato final.” (sobre a temporada de shows que faria na O2 Arena)

“Acho que o melhor ainda virá, na minha humilde opinião.” (sobre sua carreira)

“Quando o vi dançar, fiquei fascinado. Descobri o que eu queria fazer pelo resto da minha vida.” (sobre James Brown)

“Enquanto algumas pessoas tentam me machucar, eu continuo progredindo, porque tenho uma família carinhosa, uma fé poderosa, amigos maravilhosos e fãs que me dão apoio.”

“Cantarei as canções que meus fãs querem ouvir.” (sobre a temporada de shows que faria na O2 Arena, em Londres)

“Meus irmãos e irmãs têm todo o meu amor e apoio. Nós com certeza dividimos muitas experiências ótimas, mas no momento eu não tenho planos de gravar ou fazer uma turnê com eles.” (desmentindo boatos sobre um possível retorno do Jackson 5)

“Poder dizer que ‘Thriller’ ainda é o álbum mais vendido de todos os tempos é surpreendente. Tenho de agradecer a todos os meus fãs, no mundo todo, por essa façanha.”

“Sinto-me muito jovem aos 50 anos” (na ocasião de seu aniversário, em 2008)

“Eu queria ter um lugar onde eu pudesse criar tudo o que eu nunca tive na minha infância.” (sobre o rancho de Neverland)


Leiam sobre a trajetória do Rei do Pop em:
http://musica.uol.com.br/ultnot/2009/06/25/michael-jackson.jhtm

Sábado, 20 de Junho de 2009

"Inglouriou Basterd"


"Uma garota me mandou uma latinha de bolas de tênis pelo correio com um bilhete, que dizia: agora que você tem as bolas, me liga". Esta foi uma das frases de Quentin Tarantino ao repórter Michael Fleming da revista Variety, que foi veiculada na revista Playboy de dezembro de 2003. A entrevista se deu durante várias noites em Hollywood, uma delas depois de Tarantino ter assistido a uma sessão de seu filme preferido: Feios, Sujos e Malvados, e outra na ilha de edição, onde estava fazendo a finalização de uma cena de luta de Kill Bill. Apesar da imagem de bad boy, Tarantino foi simpático e encantador com qualquer pessoa que o interrompesse. Na conversa, conta o que tinha na cabeça ao levar Kill Bill para as telas, relações com as fãs, noites turbinadas por ecstasy e como se dar bem em festivais de cinema.

Antes mesmo de Pulp Fiction, Tarantino começou a descobrir como é coll ser diretor. Quando começou a frequentar o circuito dos festivais, passou a transar o tempo todo. Nunca havia saído do país, mas agora ele não só estava transando adoidado, como transava com muitas garotas estrangeiras. Durante o tempo em que Tarantino trabalhava em uma locadora, suas únicas namoradas eram freguesas. Fora isso, saia com seus amigos e ia ao cinema. A partir do momento em que ele começou a trabalhar em lugares onde o seu contato com as mulheres era maior, a situação ficou bem diferente como, por exemplo, quando ele começou a encontrar garotas no circuito dos festivais. "Me senti como o Elvis. Fiquei malucaço por um tempo, dando os maiores amassos", diz Tarantino.

Já se passaram seis anos desde o seu último filme, Jackie Brown, e o da época desta entrevista (2003), Kill Bill. Quando questionado sobre sua crise de ansiedade e um "possível" bloqueio para escrever, Tarantino diz que escreveu muito durante esses seis anos. Escreveu inclusive um longo filme de guerra chamado Inglorious Basterds, que foi como uma novela gigantesca. "Poderia resultar em três filmes diferentes", argumenta. Tarantino conta ainda, que não ficou ansioso ao escrever Kill Bill e que não teve medo de que o mundo visse seu filme.

Kill Bill era para ser uma pequena produção antes de um longa sobre a Segunda Guerra Mundial. O filme tornou-se tão grande que precisou ser dividido em duas partes que custaram seis vezes mais do que Pulp Fiction. Para Tarantino, não havia nenhum motivo que o impedisse de dividir o filme, pois desenhou seus filmes para serem maleáveis, sempre criou diferentes versões para a Ásia, para os Estados Unidos e a Europa.

Tarantino escreve sobre bad guys que passam pelos piores problemas imagináveis. Talvez sua inspiração venha de sua própria vida. Certa vez ele socou o produtor de Assassinos por Natureza num restaurante de Hollywood e se atracou num bar de Nova York com um cara que criticou o jeito com que ele se referia aos negros em seus filmes. "Não acho que tenho pavio curto", diz. Mas houve uma época em que as brigas eram constantes em sua vida. Tarantino é um cara aberto, o que você vê é o que ele realmente é.

Agora é só aguardarmos a estréia de Inglorious Basterds que foi exibido mês passado em Cannes e traz no elenco Brad Pitt, Mike Myers, Martin Wuttke, Mélanie Laurent, Diane Kruger, Daniel Brühl e Eli Roth. A estréia no Brasil está prevista para 23 de outubro.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Yes, nós temos Maria Bethânia

Hoje é aniversário de Maria Bethânia. Meu primeiro contato com sua voz foi em 1994, aos meus 12 anos, quando ouvi Fera Ferida canção tema da novela de mesmo nome naquele ano. Não sei explicar como "Acabei com tudo, escapei com vida, tive as roupas e os sonhos, rasgados na minha saída....", pode me chamar tanto a atenção. Será a voz? Será a letra? Acredito que as duas coisas. Só não posso dizer que foi a interpretação, já que eu nem sabia quem era Maria Bethânia e nunca havia visto, nem sentido a presença daquela mulher de voz grave e cabelos rebeldes sempre soltos. Em 2007, finalmente tive a chance de sentir sua presença ao vivo no show Dentro do Mar tem Rio.


Maria Bethânia Vianna Telles Veloso nasceu em 18 de junho de 1946, em Santo Amaro da Purificação, cidade do Recôncavo Baiano. Filha de Seu Zeca Veloso, o "Onça", funcionário dos Correios e Telégrafos e de Dona Canô, a força transformadora da terra no pequeno corpo de mulher, nasceu no sobrado na Rua Direita, em cima do local onde seu pai trabalhava.


Desde criança, convivendo com os irmãos Rodrigo, Roberto, Caetano, Clara, Mabel, Nicinha e Irene, já demonstrava o que seria a sua marca definitiva - a força dramática, as atitudes apaixonadas, a determinação, a energia. Queria ser atriz, subir ao palco para representar. Respirava, incentivada pelo fértil ambiente de casa, a mágica atmosfera da arte, a sensibilidade das pequenas grandes coisas da vida, a descoberta da leitura do mundo em suas cores, gestos, palavras e sons.

Hoje considerada a maior intérprete de sua geração, na infância sonhava em ser atriz, mas o dom para a música falou mais alto. Participou na juventude de espetáculos semi-amadores em parceria com Tom Zé, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em 1963, estreou como cantora na peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues. No ano seguinte, apresentou espetáculos como Nós por Exemplo, Mora na Filosofia e Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova, ao lado do irmão Caetano Veloso e o colega Gilberto Gil, então iniciantes, a quem lançou como compositores e cantores nacionais e a cantora Gal Costa.


A data oficial da estréia profissional é 13 de fevereiro de 1965, quando substituiu a cantora e violonista Nara Leão no espetáculo Opinião ao lado de João do Vale e Zé Keti, pois Nara precisou se afastar por problemas de saúde.



Interpretando Carcará em 1965 no show Opinião


Nesse mesmo ano, foi contratada pela gravadora RCA, onde gravou o primeiro disco, lançado em junho daquele mesmo ano. O primeiro sucesso foi a canção de protesto Carcará.


Primeiro Compacto de 1965


O disco de estréia também trazia as canções Mora na Filosofia, Andaluzia, Feitio de Oração e Sol Negro, esta última em dueto com Gal Costa (que à época ainda usava o nome artístico de Maria da Graça).


Capa do seu primeiro LP de 1965


Depois lançou um compacto triplo, Maria Bethânia canta Noel Rosa, com as músicas Três Apitos, Pra que Mentir, Pierrô Apaixonado, Meu Barracão, Último Desejo e Silêncio de um Minuto, acompanhada apenas por um violão. Lindíssimo, sem dúvida alguma.


Maria Bethânia canta Noel Rosa


Maria Bethânia revolucionou a forma de se fazer espetáculos no Brasil, intercalando músicas com poemas - Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes, Clarice Lispector - criando um estilo próprio e que muito lembra peças teatrais. Vários dos espetáculos estão entre os mais importantes da história da música popular brasileira, onde se destacam diversos, como Rosa dos Ventos (1971), Drama 3º Ato (1973) e A Cena Muda (1974), onde não declamou poemas - como o próprio título sugere. Isso explica a presença de vários discos ao vivo na carreira da artista - mais especificamente quatorze, onde se inclui um gravado na Argentina (Mar del Plata), com Vinícius de Moraes e Toquinho.


Foi também a idealizadora do grupo Doces Bárbaros, onde era um dos vocais da banda, que lançou um disco ao vivo homônimo juntamente com os colegas Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil.


Os Doces Bárbaros


Como intérprete, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Jobim, Noel Rosa, Gonzaguinha, Roberto Carlos, Vinícius de Moraes, Roberto Mendes, Jorge Portugal e Milton Nascimento, são os compositores com maior número de interpretações na voz. Maria Bethânia é carinhosamente chamada por Roberto Carlos de minha rainha.


Na revista Veja em 10 de dezembro de 1980


Em 2010, para comemorar os 45 anos de inserção contínua de Maria Bethânia nas artes musicais e cênicas do Brasil, o Fã-Clube Rosa dos Ventos Bahia, realizará precisamente em 04, 05 e 06 de fevereiro, o Congresso Brasileiro sobre o Canto e a Arte de Maria Bethânia: 45 anos de Palco. O evento tem o intuito de desenvolver reflexões sobre a cultura brasileira a partir das muitas leituras estéticas da cantora santo-amarense, que servem como traduções das muitas possibilidades identitárias que temos como nação multicultural.


"Só canto o que quero, com quem quero, como quero e quando quero. Nunca entendi nenhum movimento, porque não tenho paciência, não posso jamais ser uma cantora de bossa nova, uma cantora de protesto, uma cantora tropicalista. Como cada dia eu quero cantar uma coisa, prefiro não me ligar à nada e a ninguém, para poder cantar o que o meu coração mandar", finaliza Bethânia.


Discografia

1965 - Maria Bethânia

1966 - Maria Bethânia canta Noel Rosa

1967 - Edu e Bethânia - com Edu Lobo

1968 - Recital na Boite Barroco - ao vivo

1969 - Maria Bethânia

1970 - Maria Bethânia Ao Vivo

1971 - Vinicius + Bethânia + Toquinho grabado en Buenos Aires

1971 - Maria Bethânia Viana Telles Veloso - A tua presença...

1971 - Rosa dos ventos - Show encantado - ao vivo

1972 - Quando o carnaval chegar (trilha do filme, com Chico Buarque e Nara Leão)

1972 - Drama

1973 - Drama 3º ato - ao vivo

1974 - A cena muda - ao vivo

1975 - Chico Buarque & Maria Bethânia - ao vivo

1976 - Pássaro proibido

1976 - Doces Bárbaros - com Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil - ao vivo

1977 - Pássaro da manhã

1978 - Maria Bethânia e Caetano Veloso - ao vivo

1978 - Álibi

1979 - Mel

1980 - Talismã

1981 - Alteza

1982 - Nossos Momentos - ao vivo

1983 - Ciclo

1984 - A beira e o mar

1986 - Dezembros

1988 - Maria

1989 - Memória da pele

1990 - 25 anos

1992 - Olho d'água

1993 - As canções que você fez pra mim

1994 - Las canciones que hiciste para mí - espanhol

1995 - Maria Bethânia ao vivo

1996 - Âmbar

1997 - Imitação da vida - ao vivo

1998 - A força que nunca seca

1999 - Diamante verdadeiro - ao vivo

2000 - Cânticos, preces e súplicas à Senhora dos jardins do céu

2001 - Maricotinha

2002 - Maricotinha ao vivo

2003 - Cânticos, preces e súplicas à Senhora dos jardins do céu - edição comercial

2003 - Brasileirinho

2005 - Que falta você me faz - Músicas de Vinicius de Moraes

2006 - Mar de Sophia

2006 - Pirata

2007 - Dentro do mar tem rio - Maria Bethânia ao vivo

2008 - Omara Portuondo e Maria Bethânia


Espetáculos

Nós, por exemplo (1964)

Nova bossa velha, velha bossa nova (1964)

Mora na Filosofia (1964)

Opinião (1965)

Arena canta Bahia (1966)

Tempo de Guerra (1966)

Pois é (1966)

Recital na Boite Cangaceiro (1966)

Recital na Boite Barroco (1968)

Yes, nós temos Maria Bethânia (1968)

Comigo me desavim (1968)

Recital na Boite Blow Up (1969)

Brasileiro, Profissão Esperança (1970)

Rosa dos Ventos (1971)

Drama - Luz da noite (1973)

A cena muda (1974)

Chico & Bethânia (1975)

Os Doces Bárbaros (1976)

Pássaro da manhã (1977)

Maria Bethânia e Caetano Veloso (1978)

Maria Bethânia (1979)

Mel (1980)

Estranha forma de vida (1981)

Nossos momentos (1982)

A hora da estrela (1984)

20 anos (1985)

Maria (1988)

Dadaya - As sete moradas (1989)

25 anos (1990)

As canções que você fez pra mim (1994)

Imitação da vida (1996)

A força que nunca seca (1999)

Maricotinha (2001)

Brasileirinho (2004)

Tempo, tempo, tempo, tempo (2005)

Dentro do mar tem rio (2006)

Omara Portuondo e Maria Bethânia (2008)

Do vôo livre do carcará ao brilho intenso de seu 'Drama - Luz da Noite' - Veja, 3 de outubro de 1973

Iansã, deusa africana dos ventos e das tempestades, a defenderia dos raios e tormentas, a deusa forte, sensual, autoritária, a única capaz de enfrentar o espírito dos mortos e a escolhida pelas mulheres baianas inquietas e de grande vida sensual. Maria Bethânia não escolhera: fora escolhida.

No terreiro de candomblé, em Salvador, a babalaô (mãe-de-santo) Aninha de Gantois, toda vestida de branco, a cabeça raspada, jogou as conchas na mesa consagrada a Ifá, o deus nigeriano das adivinhações, ao lado de uma vela acesa e um copo de água. Lançados os búzios, a babalaô se concentrou na interpretação de sua disposição e, depois de uma pausa, revelou à mocinha de cabelos crespos e olhos castanhos imensos, toda envolta em expectativa e ansiedade: "Bethânia, seu anjo da guarda é lansã, minha filha".

Será por isso que, no palco, ela se transfigure ao cantar "Iansã", de Gilberto Gil e "Caê", como chama seu mano Caetano Veloso? Em transe, sem um gesto, ereta, envolta numa atmosfera violácea, sua voz parece quase viril entre os tambores: "Senhora das nuvens de chumbo / Senhora do mundo / dentro de mim / Rainha dos raios / Eu sou um céu para tuas tempestades / Deusa pagã dos relâmpagos / Das chuvas de todo o amor / dentro de mim / tempo bom, tempo ruim". Mais ainda, em todas as fases de "Drama - Luz da Noite", seu show que estréia esta semana em São Paulo, depois de uma temporada de quarenta semanas no Rio e em Salvador, ela é literalmente eletrizante de fascínio.

Sua voz é híbrida. Sai áspera, particularmente gutural quando ela canta o folclore anônimo da Bahia - como na época de sua explosão, em 1965, no palco do Teatro Opinião, no Rio, cantando "Carcará", a litania rebelde da fome do nordeste simbolizada na ave sem piedade que "pega, mata e come". Mas flui doce, suplicante, ferida, quando Bethânia descreve o amor desfeito.

Ela também é hermafrodita nos gestos hierátices, duros, contidos, e na maciez lânguida, dengosa de sua feminilidade afro-baiana.

'SEMPRE OSCILANDO' - São círculos concêntricos que Maria Bethânia Viana Telles Veloso, 23 anos, vai criando em torno de si.

No palco, atua como uma oficiante de um ritual místico e secreto: "Eu me dou toda, eu sou quando estou no teatro. É quando meus poderes de médium baixam sobre mim e faço um passe na platéia, entende? Assumo a alegria e a tristeza de toda aquela gente desamparada, que se reencontra em mim como num espelho".

No disco, a vibração e o frêmito da sua figura magnética perdem parte da intensidade, da mesma forma que os efeitos plásticos da luz e da cor desaparecem no acetato.

Como pessoa, na sua casa de estilo japonês-baiano de São Conrado, junto à estrada Rio-Santos, ela se encolhe quando troveja e arrepiada explica: "Sei lá se minha madrinha do céu, Iansã, de repente se irrita? E pode lá existir pára-raio contra a raiva da rainha dos raios?"

O sotaque baiano, preguiçoso, não deixa formar o "nh" de ninho, reduzido sensualmente para "niu". A descontração é autêntica, como é autêntica a alegria de receber dezenas de amigas, a maioria aos pares, que vêm prestar homeagem à Madona da Purificação da Barra.

O narcisismo é e não é genuíno. "Sou de, Gêmeos, Mercúrio rege minha vida, por isso sou triste e alegre, um momento estou na 'fossa' mais negra, um segundo depois sou estouvada, alegre, barulhenta. Estou sempre oscilando." A sofisticação é altiva: túnicas indianas que produzem um efeito erótico ao semidesvendarem os seios, o amor pelo requinte, pela elegância, por Paris. Sua voz é abafada, acariciante quando chega uma amiga. "Como ela está linda! Lavou o cabelo, não é?" Incorporou a cafonice, o kitsch e os nomes maiores da literatura como valores culturais idênticos: o que causou uma restrição hippie do seu vocabulário de dez ou doze palavras estandardizadas que englobam o bom e o mau, Angela Maria e Fernando Pessoa a deixam "vidrada", andar de avião "é um grilo", Roberto Carlos "e aqueles olhos de profeta de outro planeta, de Anjo Bom da calmaria que vier depois do escurecer final que já estamos vivendo", Roberto Carlos é "a glória, o desbunde total". Clarice Lispector "eu amo", Nora Ney, Aracy de Almeida, Billie Holiday, Jane Fonda "estão caindo de maravilhosos".

'A AMARGURA DE AGORA' - No alto da prateleira de livros e discos, uma imagem está sufocada por fitas brancas que a envolvem como ataduras, todas com a inscrição "Lembrança do Senhor do Bonfim". Uma fotografia em sépia, transformada em poster, recorda a Santo Amaro da Purificação natal, a 70 quilômetros de Salvador, não a de agora: a que ela lembra de quinze, vinte anos atrás. Hoje, a doçura dos canaviais foi substituída pelos caminhões nas estradas interestaduais, o petróleo arruinou os engenhos e bangüês invadidos pelo capim. "Eu daria tudo para voltar a ser a menina que era em Santo Amaro, mas não com a experiência, a amargura de agora, mas como eu era, com a inocência da infância" - ela afirma balançando as dezenas de pulseiras "de proteção contra inveja e mau-olhado", os colares rutilantes brilhando na penumbra do entardecer.

Sua carreira fulminante Bethânia aceita como "um peso que pressentia ter de carregar. Sempre soube que ia ser atriz, cantora, declamadora". Mas essa ascensão, que ela acha "um conto de fadas", se ela tivesse uma varinha de condão, desfaria toda para voltar atrás. Foi uma vida em que ela já era predestinada, a caçula de uma família de oito irmãos (dois adotivos). Com 4 anos de idade, Caetano Veloso já teimava com a mãe que a criança que ela ia ter breve seria menina. "Mainha não quer mais menina, não", respondia dona Canô, que já tinha com seu Zeca, funcionário dos Correios, três meninas e três meninos. Mas o garoto insistia: "Vai ser menina e vai se chamar Bethânia". Era o nome de uma valsa cantada por Nélson Gonçalves que Caetano ouvia no rádio. "Onde já se viu mulher com nome de música?", espantou-se o pai. Mas, democrático, seu Zeca resolveu apaziguar os ânimos. Já que Caetano não podia assistir ao parto, apesar de toda sua insistência, participaria da escolha do nome da irmã.

Seu Zeca, calmo, colocou na boina do caçula os nomes propostos, todos começando por Maria, a virgem protetora de Santo Amaro da Purificação naquela casa devotamente católica. E foi categórico ao explicar ao filho: "Você está vendo que estão todos aí. Fica acertado que o nome que sair sera o definitivo". Sem hesitar, o menino tirou um rolinho de papel. Estava escolhido o que hoje é o ídolo de milhões de brasileiros, o da única atriz-cantora-declamadora-intérprete que lota anos seguidos todos os teatros com seus shows e a única que bate todos os recordes de vendagem de discos no Brasil: Maria Bethânia. Ao lado do nome de Nossa Senhora, justapôs-se o da cidadezinha árabe, Bethânia, aldeia natal de Lázaro, que ressurgira dos mortos, e das irmãs Maria e Maria: Marta, a ativa, trabalhadeira, e Maria, a contemplativa.

'PAIXÃO CONTIDA' - Naquele paraíso romântico perdido, a imaginação era a complementação da afetividade que unia aquela família sólida de classe média, sem luxos nem artificialismos.

A mãe, dona Canô, "morena, linda", fazia quitutes maravilhosos, e Bethânia "adorava pôr pimenta-do-reino em tudo, demais: a pimenta é o sal dos deuses dado aos humanos". O pai, comedido, profundamente religioso, guardava com recato todos os dias santificados e obrigava os filhos a irem à missa todos os domingos, a comungarem, a se confessarem.

Bethânia saiu à mãe, "paixão contida". Caetano ao pai, "lucidez acima da paixão", delicadeza em vez de arrebatamento. Com Caê, ela brincava o dia inteiro. "Por exemplo, Caê punha um turbante na cabeça, enrolava uma saia velha de mamãe na cintura e ficávamos deitados no quintal, eu e ele éramos faquires da Índia. O dia inteiro deitados de costas, olhando as nuvens, sem sentir as facas imaginárias cravadas nas costas." Com dois outros irmãos, Roberto e Rodrigo "e naturalmente o Caê sempre", subia nos pés de araçá dos fundos do pomar da casa. Passeava na chácara da professora de piano de Caê, Aidil Barros, sobretudo participava das representações na escola de freiras onde não se misturava com as colegas, "todas quadradas, burras, um horror". Representava peças singelas em que se cultuavam as flores, as imagens.

Mas os atos castos e exangues das freiras não bastavam. Caê e Bê (como se chamam mutuamente) estendiam um pano nos galhos de araçazeiro e era a cortina do palco. Mistura de programa de calouros com recitais de poesia e declamação, eram skatches variados em que Bê surgia detrás do pano e com voz já firme anunciava: "Bom dia, boa tarde / Senhora da varanda / Papai não está em casa / O senhor vá se abancando".

'ATÉ AS LÁGRIMAS' - Sua personalidade sempre foi, desde menina, "tirana", segundo o irmão Rodrigo, "esporreteada" de acordo com o pai e "forte, fascinante" como a define Caetano. Preguiçosa, repetiu todos os anos até parar no quarto ginasial. Só em português e francês tirava 10 com louvor. "Bê poderia ser escritora, se quisesse", diz a teatróloga Isabel Câmara, distendida no sofá da sala de Bethânia para quem lê Proust e, com o escritor de teatro Antônio Bivar, escreveu o espetáculo "Drama".

Enfadada com o ginásio, Bethânia "colecionava zeros em matemática, apesar da professora maravilhosa que dizia 'Eu te adoro'". Para compensar o tédio da escola, freqüentava circo, procissão, missa, ia à Escola de Teatro, que no início da década de 60, sob a direção de Martim Gonçalves, era a melhor do Brasil, com montagens deslumbrantes de Lorca de Brecht, de Tchekov. "O teatro foi uma paixão que me consumia aos poucos", mas irresistivelmente. Quando em Salvador se montou a tragédia suburbana carioca do bicheiro "Boca de Ouro", de Nelson Rodrigues, ela se aniniou a aceitar cantar detrás da cortina, antes de começar a peça, "Na Cadência do Samba", de Ataulfo Alves. Daí ao show que montou com Caetano e Gilberto Gil, "Nós por Exemplo", já tinha atingido a segurarça e a majestade que a caracterizavam em cena. "Bethânia já era uma coisa absoluta sob a luz dos refletores", relembra Caetano.

A literatura não foi abandonada: continuou como um rio subterrâneo, mas só a literatura que fala ao coração, "que te toca até as lágrimas, até o deslumbramento total" - por exemplo, "Legião Estrangeira", de Clarice Lispector. "O Coração é um Caçador Solitário", de Carson McCullers. O teatro total, sem canto, só interpretação dramática. Bethânia acha que está no seu destino: "Mas ainda não estou pronta. Aí representarei a mãe de 'Os Fuzis da Senhora Carrar' ou a Jenny da 'Ópera dos Três Vinténs', de Brecht, ou a Adela da peça 'A Casa de Bernarda Alba', de Lorca. Sabe, aquela mulher alucinada de paixão, que só teve a babaquice a se matar quando devia era ter fugido com o amado e da repressão que sofria". Ou Electra: "Tenho paixão". Mas só faria teatro com o diretor Fauzi Arap, sua "alma masculina, assim como eu sou a alma feminina dele".

'DEVIA SER TROTE' - Ouvia tardes inteiras discos de Billie Holiday que um diretor de teatro lhe revelara e que foi para ela "a explosão, entende? Saber que aquela mulher podia cantar daquele jeito! Ela, a Edith Piaf, a Judy Garland, a Aracy de Almeida, madrinha Narinha (Leão) me convenceram de que um dia eu chegaria a cantar também". Madrinha Nara acreditara nela, lembrara-se daquela baianinha de 17 anos que ouvira em fita gravada quando fazia uma turnê em Salvador, em 1965. Nara estava exausta de cantar seis vezes por semana no show musical "Opinião", que lotava o Rio de Janeiro mês após mês, ininterruptamente. Mas quem deixaria Bê sair da Bahia?

Sua amiga, a atriz Nilda Spencer, é que conseguiu vencer a resistência de dona Canô. Que explica: "Bethânia nos quebrou de pé e mão, nós achávamos que ela não conseguiria substituir Nara, uma cantora já famosa. Mas disseram que não era Bethânia e sim a Bahia que estava sendo representada. Fizesse ou não sucesso, a gente teve que ceder". Com uma condição inapelável: que Caetano Veloso, então inscrito na Faculdade de Filosofia, a acompanhasse ao Rio. Bethânia não acreditou quando lhe telefonaram. "Devia ser trote, tanto que respondi: 'Sinto muito, mas não posso, tenho que substituir a Billie Holiday num show daqui'". Mas acabou não resistindo. Obedeceu, levada pela mão do irmão e pela segurança que a família lhe confirmou.

'CANÇÃO DE AMOR' - Não era mais a menina-moça "capaz de ficar roxa e se jogar dura no chão para conseguir o que queria", como a descreve Caetano. Nem a "exótica" que chocava Santo Amaro da Purificação com unhas de esmalte de várias cores e fantasia de palhaço no clube "Filhos de Apolo". Nem a adolescente esfuziante que corria atrás do trio elétrico no carnaval ou ficava em casa cantando "Último Desejo" ou ouvindo até gastar o sulco as gravações de Orlando Silva, de "Andaluzia" e "Feitio de Oração". No Caravelle, teve pavor, mas no camarim, enquanto ouvia o zumbido da platéia cheia, estava calma.

Espocou no palco do "Opinião" o que um crítico na época qualificou de "diamante bruto ou grito da caatinga de Lampião, do Padim Ciço, da seca e da fome do nordeste". Para Bethânia, ao contrário, a força social da canção que alinha as porcentagens de nordestinos que abandonam seus Estados sangrados pela miséria e o impacto da imagem da ave inclemente que "pega, mata e come" para não ser comida "é uma canção de amor - senão eu não saberia cantá-la". Seus seguidores e seu séquito dizem mesmo que Maria Bethânia fala pelos marginalizados, pelos excluídos. No Rio, um senhor solitário, cinqüentão, assistiu 36 noites seguidas a seu show "Rosa dos Ventos", que teve mais de seiscentas apresentações. Uma senhora paulista entrou pelo seu camarim e agitada, arfante, lhe disparou a pergunta: "Bethânia, depois de ver e ouvir e sentir tudo isso que você encarnou, o que é que eu faço da minha vida? Me diga, pelo amor de Deus!".

As fiéis que freqüentam seu templo em São Conrado completam, afirmando que ela é "um oásis seguro e um refúgio". Talvez por coincidência muitas são fisicamente feias. Mas todas ganham de Bethânia a voz mais acariciante, o comentário mais delicadamente pessoal: "Que barato essa roupa, menina!", "Então, tudo melhor? Graças a Deus, Oxóssi e Iansã, querida". Com intimidade, chama as pessoas cujo olhar interpreta como desprovido de malícia ou inveja de "meu santo", "minha santa", "meu filho", "neguinha". Mas há uma face violenta dela que, como uma granada, detona quando pisada.

Inconformada com o que chama de "mau caráter total" de seu ex-empresário Guilherme Araújo, não vacilou quando o viu entrar pela sua casa adentro com cameramen da televisão italiana. Saiu "nuinha em pêlo do banho" e o agrediu com a violência "di una pantera feroce", segundo definiu um câmera presente, enquanto o empresário corria, advertindo: "Cuidado com o meu maxilar! Cuidado com o meu maxilar!". Sua casa, no entanto, é um porto seguro, a salvo das tempestades, por isso quase não sai, não aceita convites para jantar, a não ser raramente.

'CADA TANQUE' - Diante da piscina com uma bóia verde do elefante Dumbo de Walt Disney, as treliças de madeira ocre só deixam entrever o interior, protegido por guardas postados no portão de fora e pela ferocidade da cadela Policial "Bruma". Em vários níveis, a casa reproduz os quatro elementos que formaram a constelação de "Rosa dos Ventos". O mato está no jardim, na floresta da Tijuca circundante e nos galhos de arruda que Bethânia usa atrás das orelhas. O mar, poucas esquinas adiante, pena que não tenha o "cheiro verde" do mar da Bahia. O fogo arde nas velas votivas. A terra abrange desde o jardim que ela gosta de pisar descalça até o elemento mineral, misterioso.

"Esta Pedra da Gávea", e ela se cala, olhando as rochas que, para alguns arqueólogos, conteriam inscrições fenícias ou hieróglifos do Antigo Egito gravados no granito. Tudo que é de religião para Bethânia é sagrado: do candomblé aprendeu a lei do silêncio, do segredo quanto mais recôndito mais forte, as fórmulas que as mães e pais-de-santo transmitem sigilosamente aos filhos numa linha que veio do Daomé e da Nigéria desembocar na Bahia. "Uma religião não só de escravos e oprimidos mas de Reis e Rainhas também, não se pode esquecer", ela frisa com indisfarçável orgulho, como se descendesse de um soberano negro. Comove-se visivelmente quando lhe dizem que seu poeta preferido, Fernando Pessoa, foi um iniciado em ocultismo e um seguidor da teosofia da russa Blavatskv. Quer saber mais, espera um livro que lhe avisaram "está para sair" sobre os heterônimos do grande poeta português, talvez orixás que possuíam o autor de "Mensagem". Lerá? Espreguiça-se e sorri um sorriso infantil, terno, acolhedor. "Sou um poço de preguiça, sabe? É dengo de baiana. Não leio sobre candomblé. Não estudo. Não li nem todo o livro ("Bethânia Guerreira Guerrilha") que o (poeta e jornalista) Reynaldo Jardim fez para mim. Não sou uma intelectual. Nunca. Eu sinto. E vivo."

Isabel Câmara interrompe para negar: "Que nada, a Bethânia lê muito escondido, escuta Proust quando eu leio para ela e escreve com talento de escritora maior". Bethânia ri, envaidecida mas relutando. Desenha figuras geométricas, ultimamente anda pintando quadros que só os íntimos podem ver. Resiste a abordar assuntos mais sérios. Dá gargalhadas das emancipacionistas femininas. "Cada tanque! Aquela Betty Friedan, Deus do céu! Claro, eu quero que a mulher seja livre, todos devem ser o que são, mas ser como a Jane Fonda, caindo de linda, verdadeira, apaixonada pelas coisas em que acredita."

'OUTRAS ENCARNAÇÕES' - Como um caracol vai-se fechando na casca de uma incomunicabilidade crescente à medida que as perguntas são sobre homossexualismo, sobre assumir-se. Limita-se a sublimar com um olhar que tem a intensidade relampejante de sua protetora Iansã: "Eu não minto para mim mesma. E basta!". Interrompe, staccato, seca, quando se fala em Gay Power: "Detesto, acho ridículo!"

Ela não vive apartada do mundo então naquela casa só freqüentada por grupos homogêneos, de amigas particulares? Não vive numa espécie de gueto? Faz beicinho de criança ignorante, pede para Isabel Câmara traduzir: "O que é gueto?" Depois de uma pausa longa em que continua desenhando, abstraída de tudo, esclarece que não gosta de falar de "coisas amargas. Não sou profunda nem quero aprofundar nada. Para não sofrer. Eu sei de coisas...que me contam...e fico triste. Não leio jornal. Procuro cada vez saber menos das coisas. Eu prefiro ficar por fora porque não posso nunca morar fora do Brasil. Eu me apóio na religião, entende? Mas sei lá o que eu fiz nas outras encarnações para passar o que eu passo agora. Gêmeos é assim: oscila do pessimismo à euforia, tudo extremo de um segundo para o outro".

Por isso talvez alterne a claustrofobia que os estúdios de televisão lhe provocam com o horror às multidões que a impede de freqüentar o cinema. Tem medo de estar com muita gente numa sala assistindo a um filme, mas tem mais pavor ainda ("até do que avião, hotel e morar no estrangeiro") de não se sentir livre, se possível totalmente. A televisão, não. "Aquela luz chapada, fria. E o diretor que te diz: 'Olha. você só pode andar daqui pra lá. Só pode caminhar até aquela porta ali'. E eu posso?" Não pode.

Em shows, ela em certos momentos se deita no chão, ou vira as costas para o público, ou canta escondida, ajoelhada, em posições iogues. Ou coloca o próprio camarim em cena: "Porque o público não pode ver o artista se preparando?" Enquanto se maquila, num strip-tease invertido ela se veste à medida que as luzes lentamente se acendem. Depois, a liberdade de recriar cada momento, cada noite, nunca o mesmo ritmo, a mesma forma de sentir. "Eu apresentei 'Rosa dos Ventos' durante dois anos e nenhuma noite foi igual à outra, nunca fiz nada repetido, mecanicamente. Eu sou assim. Sempre improviso. Na hora. Tudo muda diariamente conforme meu humor, meu ritmo interior. Eu tenho no coração um rubi com 29 portas que mudam sempre."

'SEMPRE ABANDONADA' - Hoje ela é "diamante bruto" que foi lapidado pelo Rio de Janeiro. Sobretudo, Bethânia não aceita ficar estereotipada como "força bruta do nordeste". É do Recôncavo, da zona úbere da Bahia, nunca passou miséria. A agressividade se insinua quando duvidam da sua versatilidade e da sua capacidade de assimilar o estilo carioca de Noel Rosa e do bairro do Estácio. "Só porque sou baiana então só posso falar de acarajé e efó? Se eu fosse do Recife só poderia falar de frevo e maracatu?" Ao contrário, acha que as "canções de fossa" (fossa nova ou velha) - sobretudo as de Roberto Carlos, "o Anjo que virá depois do Anjo Exterminador" - são um lado secreto seu que se expõe quando canta.

Decepções amorosas ("fui sempre abandonada pelas pessoas que amei"), a saudade da família, a nostalgia da infância inocente perdida, a angústia que dois anos de psicanálise não solucionaram, a perda da fé católica que Caetano lhe transmitiu ao lhe declarar antes de uma missa que "Deus não existe", tudo isso ela exprime - ou tenta exprimir - em músicas como "O Show já Terminou", de Roberto Carlos, que ouve até vinte vezes por dia. Ou nos sonhos apavorantes que costumava às vezes ter: caldeirões de azeite fervendo sendo preparados enquanto ela, amarrada, esperava com horror e impotência ser atirada viva neles. Cemitérios de cruzes escuras com os túmulos cheios de ônibus em frangalhos. Essa fase, porém, já passou. Sua amiga Leiria Krespi a levou há alguns anos a uma tenda espírita e, de volta à Bahia, Bethânia começou a freqüentar o candomblé. "A umbanda me decepcinou porque proíbe o sexo, proíbe o beijo, proíbe quase que a gente de ser humano. O candomblé, não, aceita tudo - homossexualismo, castidade, tudo, desde que haja amor e honestidade. Aprendi que cada folha é um santo, cada riacho é um deus, cada árvore é uma divindade. E me estabilizei mais."

Ela adora a parte ritual do culto: pela casa há copos de água "para o anjo da guarda", ao lado da motocicleta Yamaha com que percorre, a 150 quilômetros por hora, as curvas de São Conrado, apertadas entre os morros e o mar. Quando come, pipoca. derrama sal na cabeça, "para Oxóssi". Não bebe cerveja sem antes espalhar um pouco no chão "para Omolu, que adora beber álcool". Como uma concha, vai-se fechando à medida que as perguntas se tornam mais inquisitivas. Não entende de política nem quer entender. Não está autorizada a falar sobre o afastamento do irmão e de Gilberto Gil do Brasil. A Censura não a incomodou nunca, "os censores são pessoas instruídas". Não vai a cinema há cinco anos, admira Greta Garbo e Nara Leão que "souberam curtir a delas", uma abandonando a tela "no auge da divindade", outra deixando a carreira para voluntariamente cuidar dos filhos e do marido, o diretor de cinema Carlos Diegues.

'VONTADE DE MORRER' - Só não consegue viver fora do Brasil. As dezessete cidades alemãs que visitou lhe deixaram uma impressão de frieza, de gente robotizada, exceto os jovens "muito ligados em Tom Jobim, em Baden Powell, em Gilberto Gil e Caê". Mas das butiques de Munique "onde ia comprar umas roupetas" a levaram para um lugar "lindo, com chalés, rios correndo, montanhas cobertas de neve". Era o campo de concentração nazista de Dachau. Com acento sincero de espanto e involuntariamente cômico ela grita ao relembrar sua "vontade de morrer naquela horinha, ali mesmo, naquele instante. O quê? Dachau! Campos com gás nos chuveiros? Cadáveres amontoados nas valas? Virgi Nossa Senhora, Iansã que me proteja!"

O sucesso, a fama, a riqueza só a alteraram para pior, pessoalmente, para melhor, religiosamente: "Cantando e representando eu me dou aos outros - é a minha sina e uma Cruz que eu carrego com resignação e alegria". Mas o que quer mesmo é voltar para Santo Amaro da Purificação - purificada. Morar na Ilha Pequena, comprar uma casa para os pais, outra para ela. E deixar de ser Maria Bethânia, o mito, para ser a menina Maria Bethânia Viana Telles Veloso, tudo como era antes: com o irmão Caê, os pais adorados, humildes e admiráveis, os amigos e amigas, os amores contrastados. E, quando estiver só, "mas só mesmo", assumir sua dualidade astral de Gêmeos: sorrir para a vida, entusiasmar-se com tudo e depois, ouvindo os discos de Billie Holiday, e, mesmo sem entender uma palavra de inglês, chorar.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

STF derruba exigência do diploma para o exercício do jornalismo


Texto publicado a pouco no site da FENAJ - www.fenaj.org.br

Em julgamento realizado nesta quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o TST pôs fim a uma conquista de 40 anos dos jornalistas e da sociedade brasileira, tornando não obrigatória a exigência de diploma para exercício da profissão. A executiva da FENAJ se reúne nesta quinta-feira para avaliar o resultado do julgamento e traçar novas estratégias da luta pela qualificação do Jornalismo.


Às 15h29 desta quarta-feira o presidente do STF e relator do Recurso Extraordinário RE 511961, ministro Gilmar Mendes, apresentou o conteúdo do processo encaminhado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e Ministério Público Federal contra a União e tendo a FENAJ e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo como partes interessadas. Após a manifestação dos representantes do Sindicato patronal e da Procuradoria Geral da República contra o diploma, e dos representantes das entidades dos trabalhadores (FENAJ e SJSP) e da Advocacia Geral da União, houve um intervalo.

No reinício dos trabalhos em plenário, às 17h05, o ministro Gilmar Mendes apresentou seu relatório e voto pela inconstitucionalidade da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Dos 9 ministros presentes, sete acompanharam o voto do relator. O ministro Marco Aurélio votou favoravelmente à manutenção do diploma.

“O relatório do ministro Gilmar Mendes é uma expressão das posições patronais e entrega às empresas de comunicação a definição do acesso à profissão de jornalista”, reagiu o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. “Este é um duro golpe à qualidade da informação jornalística e à organização de nossa categoria, mas nem o jornalismo nem o nosso movimento sindical vão acabar, pois temos muito a fazer em defesa do direito da sociedade à informação”, complementou, informando que a executiva da FENAJ reúne-se nesta quinta-feira, às 13 horas, para traçar novas estratégias de luta.

Valci Zuculoto, diretora da FENAJ e integrante da coordenação da Campanha em Defesa do Diploma, também considerou a decisão do STF um retrocesso. “Mas mesmo na ditadura demos mostras de resistência. Perdemos uma batalha, mas a luta pela qualidade da informação continua”, disse. Ela lembra que, nas diversas atividades da campanha nas ruas as pessoas manifestavam surpresa e indignação com o questionamento da exigência do diploma para o exercício da profissão. “A sociedade já disse, inclusive em pesquisas, que o diploma é necessário, só o STF não reconheceu isso”, proclamou.

Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Os outros elementos emblemáticos no imaginário brasileiro


Superação de obstáculos? Faz parte do dia-a-dia dos brasileiros. Ser guerreiro e lutar por uma vida mais digna também. Agora porque esse país de tantas diferenças sociais, de tanta miséria e corrupção esquece de todos estes problemas em época de Copa do Mundo? É algo realmente inexplicável para mim.

Sou brasileiro há 27 anos e confesso que me incomodo com certos esteriótipos que são dados como qualidades de nosso país. Brasil: o país do futebol! Brasil: o país do carnaval! Brasil: o país das mulatas, o país da bunda, da cerveja na sexta-feira e o país da corrupção. Mas o que mais me incomoda é o país do futebol. Na minha opinião é o país do esteriótipo!

Sou brasileiro e não gosto de futebol, carnaval e muito menos de cerveja na sexta-feira. Na verdade adoro sexta-feira, mas não gosto de cerveja. Se relacionarmos o futebol com a luta diária do cidadão comum, que acorda e enfrenta uma jornada de trabalho com um sorriso no rosto e uma alegria genuína, única, concluímos facilmente que o futebol é a válvula de escape, o entretenimento mais popular do país, e a cerveja na sexta-feira, serve para encontrar os amigos e esquecer dos problemas.

Mas existe o Brasil que muitos desconhecem. O Pantanal Mato-Grossense representa para muitos apenas a necessidade de escapar do cotidiano, do ambiente estático e fechado do dia-a-dia. No interior da Amazônia tudo gira em torno dos barcos, a remo ou a motor. São eles que transportam passageiros, carregam alimentos, materiais e até automóveis. O povo das águas nasce e vive embarcado. É um Brasil retratado muitas vezes apenas desta maneira.

Mas não posso deixar de dizer como o caráter se desenvolve por meio do esporte. São diversos projetos sociais que envolvem a prática do esporte que tiram diversos garotos das ruas. Muitos vêem no esporte a esperança de um futuro melhor. Não vejo problema nenhum na prática do esporte como fator de inclusão social. Grande parte dos meninos buscam no futebol uma oportunidade para se libertar de uma vida de pobreza devido a imagem de ídolos do esporte que ganham salários milionários, exibindo carros importados e loiras deslumbrantes.

O problema é que nem todos conseguem. Neste caminho existem as seguintes etapas: empolgação total, o teste que não deu certo e o desespero por causa da derrota. Para os que conseguem, a recompensa é fama, dinheiro e mulheres. Mas o brasileiro é cruel. Esquece fácil tudo o que o ídolo fez na primeira vez em que ele falhar. Um exemplo: um jogo onde o Brasil perde ou um jogo em que há empate. Quando isto acontece, a população se esquece das outras vezes em que a seleção venceu. Entendidos de futebol que são, logo concluem que a seleção brasileira não presta. É uma mistura de amor e ódio que não consigo explicar.

Confesso que uma satisfação tomou conta de mim quando o Brasil perdeu para a Itália na Copa de 2006. Para mim o Brasil não é apenas o país do futebol, e a seleção ganhando ou perdendo a minha vida não vai mudar nada. Então qual o significado de ser brasileiro? Torcer para a seleção? Não. Para mim é o sentimento de superação, fio condutor da vida desse povo. A facilidade de adaptação e flexibilidade em cada situação, em cada condição ou lugar. É um povo de pura criatividade, lutador e que vive em harmonia independente de ser o país do futebol ou não.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Sábado, 6 de Junho de 2009

A canção dos olhos seus


Hoje é aniversário de uma das maiores cantoras de todos os tempos.
Se estivesse viva, Maysa completaria 73 anos.

ai voce foi embora era hora de ir
depois que sabe que tristeza haveria
ai! foi bom separar os meu solhos dos seus
o meu olhar apagarei do teu olhar

ah! não faz mal a distâcia
ah! nao faz mal a saudade
hoje é melhor eu saber
que você nao sofreu
se eu sofri não faz mal

ai! nasceu do sofrimento
na esperança e no amor
nasceu de mim
a canção dos olhos seus

Domingo, 31 de Maio de 2009

Chanel por Tautou


A vida de Gabrielle Bonheur Chanel, antes de se tornar a famosa e poderosa estilista Coco Chanel, enfim ganha filme estrelado pela também francesa Audrey Tautou, revelada em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001). Na cinebiografia intitulada Coco Antes de Chanel, Tautou, aos 32 anos, encena a trajetória prévia da fabulosa criadora de moda.

Coco Antes de Chanel já colhe elogios e êxitos com a direção delicada de Anne Fontaine (Uma Nova Chance). A cineasta filmou o longa em Paris, tendo como base o livro A Era Chanel, de Edmonde Charles-Roux, publicado após a morte da estilista, retratando os anos mais difíceis do início da vida de Chanel, entre tristezas e desvendamentos. Tudo mostra que a ambição dessa mulher sensível e atinada também remonta à intensidade de provações pelas quais passou e a um charme encantador, que também contribuiu para abrir-lhe as portas da alta sociedade francesa e mundial.

Escolha certeira de Fontaine, Audrey Tautou é o foco dos maiores aplausos pela encarnação da personagem real de Coco Antes de Chanel, sendo destacada pela imprensa nas pré-estreias, que já rolaram na Europa, onde o filme entra em cartaz este mês. O longa, que teve lançamento na França já em 22 de abril, alcançou o topo das bilheterias no país, marcando mais de U$2,7 milhões (R$ 7,56 milhões) no primeiro fim de semana, e continua a manter-se com êxito, devendo seguir o mesmo caminho nos mais de 60 países programados para exibir o filme. Esse mês a película já entrou na Itália, vai a Espanha e Austrália em junho, será exibido na Alemanha em agosto, enquanto o Japão e a América Latina assistem no segundo semestre, quando será também lançado nos EUA.

Previsto para estrear no Brasil em 10 de outubro, Coco Antes de Chanel é um colírio luxuoso, que teve no atual diretor artístico da Maison Chanel, Karl Lagerfeld, a supervisão das recriações de figurinos, assinados por Catherine Leterries. O ambiente do início do século XX é também um mérito, sob fotografia de Christophe Beaucarne e com desenho de produção por Olivier Radot. A trilha tem assinatura do já indicado ao Oscar Alexandre Deplat (de A Rainha e O Curioso Caso de Benjamin Button).

Depois de se transformar em Coco, Tatou também encarna a publicidade do Chanel Nº 5, o mais notório perfume do mundo, criado pela estilista. Audrey é a garota-propaganda da fragrância na TV e nos impressos, sob direção do também francês Jean-Pierre Jeunet, seu diretor em O Fabuloso Destino de Amelie Poulain. Tanto no filminho de 60 segundos como no de 2 minutos e 40 segundos, as imagens ressaltam o romantismo, e estações do trem Expresso do Oriente exibem a marca dos C entrelaçados da Chanel nas viagens em que Audrey contracena com o modelo Travis Davenport, com direito a trejeitos da conquista, encontros fortuitos, a languidez dos desejos até a chegada em Istambul, onde enfim os aromas apontam para o amor na trilha ecoada pela voz tocante de Billie Holiday. Confira os vídeos:





Mas é o filme que acompanha a notoriedade de Chanel que realmente investe no que realça as atitudes memoráveis da estilista, antes e ao adentrar no mundo da moda. Nascida em 19 de agosto de 1883, Gabrielle Bonheur Chanel teve berço humilde em família numerosa, que viajava sempre até a mãe dela falecer em 1889 e o pai, um vendedor ambulante, abandoná-la em Paris a mercê de um orfanato. Foi lá que Chanel começou a se distinguir na costura, feitura de chapéus e acessórios. Sempre reservada, mas atraente e cheia de personalidade, Coco conquistou por volta de 1910 o coração de Arthur Capel Boyle, um milionário jogador de pólo inglês mais conhecido como Boy, foi ele quem apresentou Chanel a grande sociedade com que convivia e auxiliou a amada a abrir uma loja de chapéus. Interpretado no filme pelo ator Alessandro Nivola, Boy foi o maior amor da vida de Chanel, mas não a viu florescer à fama, pois morreu precocemente em acidente de carro.

Coco Chanel, triste pela perda do parceiro, mas já importante como conselheira de moda, passa então a desenhar modelos e chega à alta-costura, ditando suas regras de vestuário até também para roupas esportivas e outras ousadias até hoje celebradas no guarda-roupa feminino. Por volta de 1913, Chanel conheceu e foi árdua defensora do talento do músico russo Igor Stravinsky, com quem anos depois manteve um caso, retratado em outro filme francês recém-lançado: Coco Chanel & Igor Stravinsky, dirigido por Jan Kounen, que foi exibido no encerramento do Festival de Cannes.

Baseado no romance, Coco & Igor (2002), de Chris Greenhalgh, o Coco Chanel & Igor Stravinsky narra exatamente os meandros do romance entre a estilista (interpretada pela também francesa Ana Mouglalis) e o compositor (vivido pelo ator dinamarquês Mads Mikkelsen), após a morte de Boy. Apesar de Stravinsky ser casado, ele acaba se envolvendo com Chanel quando ao passar por uma grave crise financeira, o russo aceita morar com a família na casa de campo da estilista. A mulher de Igor acaba descobrindo o caso, gerando desconfortos emocionais para o compositor e revelando a personalidade dominadora de Chanel. O filme também será lançado no Brasil.

Enfim, após sua morte e com a edição de biografias e histórias sobre suas passagens no mundo, Gabrielle “Coco” Chanel imprime agora novas nuanças com a ajuda do cinema e dos talentos de conterrâneas atrizes, como Audrey Tautou e Ana Mouglalis. É aguardar para assistí-las...

Fonte: www.opovo.com.br

Confira o trailer:


Sábado, 30 de Maio de 2009

Você precisa ouvir aquela canção do Roberto...

Conversando com o meu amigo Bruno no msn quinta-feira à noite, ele me perguntou se eu tinha visto a montagem com as cantoras interpretando o Roberto Carlos, dia 26 no show em comemoração aos 50 anos de carreira.

Eu disse que não, ele disse que estava impressionado.

Ele me disse que vai ter que comprar o DVD de tanto que gostou.

Comecei a ver e questionei a presença de algumas cantoras ali: Sandy, Cláudia Leite, Daniela Mercury e Ivete Sangalo achei nada a ver.

Ai ele me diz:

- A Sandy fez bonitinho também!

Eu disse que não concordava com a presença dela ali, ai ele me disse para eu deixar de ser preconceituoso e que mesmo assim ele iria comprar o DVD.

E olha que o Bruno é super crítico e chegou a me ameaçar de bloqueio no msn, caso eu não parasse de criticar as infelizes!

Ai eu disse que estava falando das que gosto e das que não gosto.

A Marilia Pera detonou!

Bruno diz: Um dramalhão lindo né?

Eu disse: Uhum, parece muito bom!

Marina Lima arrasou! Agora me desculpe Sandy acabou com a música "As canções que você fez pra mim"!

Ai mais uma do Bruno: Sandy fez o que se propôs, não a compare com a Bethânia!

Não to comparando, até porque Bethânia é incomparável, eu acho a Sandy ruim mesmo!

A Calcanhoto mandou super bem também.

Agora Cláudia Leite?

Bruno responde: mil vezes melhor que a Ivete Sangalo, que errou a letra das músicas que cantou.

Ivete? Porque essa mulher está em todos os lugares? Alguém pode me responder!

Deus me livre!

Bruno diz: Música a gente tem que comer!

Ai me desculpem, mas não tolero certas coisas! Ai o Bruno me diz: não tolero MUITAS coisas! Mas sabe da importância do Roberto Carlos (que, aliás, adora), e lamenta muito que Simone, Bethânia e Gal não tenham ido e que reconhece a importância do evento e que está certo de que comprará este DVD.

Eu digo que quem deveria ir não foi.

Bruno sentiu falta da Maria Rita e da Rita Lee.

É por isso que digo: quem deveria ter ido não foi!

E você sabe por que elas não foram?

Ele me diz que estou criticando as pobrezinhas que entraram de 2ª chamada, para que o evento acontecesse!

E completa: só foram chamadas (Hebe, Ivete, Sandy e a Cláudia Leite) porque as outras não puderam ir!

Gal está no exterior, fazendo shows.

Bethânia está em estúdio.

Simone não foi por ter contrato com outro banco (o Itaú financiou o show)

Maria Rita também está em estúdio.

Rita Lee eu não sei...

Bethânia não foi porque não quis, essa é a verdade. Fera Ferida não precisa de ensaio!

Ela podia ter dado uma escapada.

Ai ele me envia Você, Você da Mônica Salmaso:

- Põe aí a música Você, Você da Salmaso! Quero te contar a história dessa canção...

(A letra desta canção está no post anterior)

Escuta ai!

Escuta e presta atenção.

É uma canção de amor?

A primeira vista sim.

Ele fez isso, olha só, pensando num eu-lírico infantil:

O filho pequeno, vendo a mãe e falando do amor dele por ela.

Ouça de novo e perceba isso!

Espera, vou ouvir...

Nossa! Realmente

Como descobriu?

Falar nisso, o show passará amanhã na Globo!


Confiram:






Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Quem é essa voz?


Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro e a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?

Quem é essa voz?
Que assombração seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão? Que horas você chega?

Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro, deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Pra quem você tem olhos azuis e com as manhãs remoça?
E à noite, pra quem você é uma luz debaixo da porta?
No sonho de quem você vai e vem
Com os cabelos que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga que horas você volta?

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

A Princesa que dormia

Eu simplesmente adoro papos culturais. Hoje rolou uma super conversa com a Cláudia Teles no auditório da Prefeitura de Itajaí, que ocorreu paralelamente a sua exposição "Cartografias". Ao final ela recitou Eros e Psique do Fernando Pessoa e achei fantástica a sua interpretação.


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

He is Jay Brannan


Jay Brannan construiu sua carreira musical através da execução de músicas em seu estúdio e de postá-las no Youtube e em seu próprio site. São canções singelas que falam de amor e de situações do cotidiano.

Em março de 2007, Jay Brannan colocou quatro de suas canções para venda no Myspace. Estas canções fizeram parte de seu primeiro EP "Unmastered"...



...e de seu primeiro álbum “Goddamned”, produzido por Will Golden, e lançado no iTunes em julho de 2008 .



Brannan fez uma turnê internacional, em agosto e setembro de 2008, passando inclusive por Porto Alegre.


Discografia:

Unmastered (2007)

Goddamned (2008)


Em breve:

In Living Cover (2009)


Confira abaixo o Clipe de Housewife e Body´s a Temple:




Domingo, 24 de Maio de 2009

LeftRightLeftRightLeft


O download de LeftRightLeftRightLeft, cd ao vivo com nove músicas do Coldplay gravadas durante a turnê Viva la Vida, ano passado, já está disponível no site da banda. No repertório, canções do álbum Viva La Vida or Death and All His Friends, como "Viva La Vida", "Strawberry Swing" e "42", além de antigos sucessos como "Clocks" e "Fix You".

O CD, que será entregue ao público em todos os shows do grupo até o final do ano - a não ser nas apresentações em festivais, faz parte de uma ação em agradecimento aos fãs "em um momento econômico difícil" em que "as pessoas estão pagando caro pelos ingressos".

Set List:

  1. Glass of Water
  2. 42
  3. Clocks
  4. Strawberry Swing
  5. The Hardest Part/Postcards From Far Away
  6. Viva La Vida
  7. Death Will Never Conquer
  8. Fix You
  9. Death And All His Friends

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Perto de muita água tudo é feliz...

Por Sidimir Sanches


“Perto de muita água tudo é feliz”. Maria Bethânia faz deste trecho de Guimarães Rosa a máxima de Dentro do Mar Tem Rio, registro do show homônimo, aplaudido por platéias emocionadas no Brasil, América Latina e Europa em um ano de turnê. O espetáculo que dá origem a esse ao vivo é fruto dos dois discos lançados simultaneamente pela cantora em 2006: em Mar de Sophia, Bethânia canta o mar e seus símbolos a partir da poesia de Sophia de Mello Breyner. Já em Pirata, ela viaja pelo universo folclórico e afetivo das águas dos rios do interior do Brasil.


No espetáculo essas águas se encontram e se misturam harmoniosamente, cumprindo com rigor a premissa “Dentro do mar tem rio. Dentro de mim tem o quê? Vento, raio, trovão, as águas do meu querer...”, presente na letra de Capinan para a melodia de Roberto Mendes em Beira-Mar: no universo de Bethânia, responsável pelo roteiro do show (que conta com a colaboração de Fauzi Arap), o rio de Jereré (da bucólica canção de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, De Papo pro Ar), o Riacho do Navio (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) e as águas tépidas do mar da Bahia (em Kirimurê, de Jota Velloso) estão muito próximos. Bethânia dá vazão às suas memórias e paixões para construir uma narrativa pontuada pela coerência, e banhada pelas águas da simbologia que alimenta lendas, mitos e histórias:


- “Esse show é pontuado por dualidades: Bethânia dentro do mar, e Bethânia observando o mar. Ao passo que ela se insere e mergulha profundamente nestas águas, possui também um distanciamento crítico. Ao mesmo tempo que Bethânia perpassa toda aquela dramaticidade que é só dela, fruto de um entendimento absoluto da tragédia humana, ela está na verdade muito leve, meio que rindo disso tudo. Esse espetáculo é uma grande radiografia de Bethânia através das águas, um diálogo entre ela e o universo”, sentencia Bia Lessa, que assina a direção do show.


A cantora não só radiografa a si própria, como também ao Brasil. O elemento água funciona em muitos momentos como uma lente alegórica pela qual Bethânia traz à tona o que a aflige e fascina num país de irônicas disparidades: o Brasil abundante em água potável e material humano sendo tragado pelo Brasil da seca perene e da prepotência. Tanto que dedica o bloco inicial do show, e parte de sua aflição, justamente à escassez de água com a trinca Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), Grão de Mar (Chico César e Márcio Arantes) e O Nome da Cidade (Caetano). De forma lúdica, tristes verdades se escancaram.


Mas o Brasil tem fé. O sincretismo religioso marca presença através dos símbolos da religião africana, casos de Canto de Oxum (Toquinho/Vinicius de Moraes),Yemanjá Rainha do Mar (Pedro Amorim/Paulo César Pinheiro) e a autobiográfica A Dona do Raio e do Vento (Paulo César Pinheiro); e do catolicismo, com São Francisco - em Francisco, Francisco (Roberto Mendes/Capinan)- e São José- em Meu Divino São José (Domínio Público). Temas como Pedrinha Miudinha, Cantigas Populares e Cirandas,todas de domínio público, evidenciam a força da criação singela e rica em significados do artista popular. A mítica figura do marinheiro, destemido e solitário, aparece tanto na baianidade de Marinheiro Só (Caetano Veloso) e do ijexá Memórias do Mar (Vevé Calzans e Jorge Portugal), quanto no fado O Marujo Português (Linhares Barbosa e Artur Ribeiro).


Cantora reconhecida pelas interpretações definitivas, em que acaba assumindo, intuitivamente, a co-autoria das canções, Bethânia agrega neste disco compositores a primeira vista tão díspares entre si, mas que diluídos num roteiro que prima pela coesão, tornam-se fundamentalmente complementares. Dessa forma, há desde contemporâneos, que comparecem com canções feitas especialmente para a cantora, casos de Eu Que Não Sei Quase Nada do Mar (Ana Carolina/Jorge Vercilo) e Sereia de Água Doce (Vanessa da Mata), com exceção da inconformada Debaixo D’Água (Arnaldo Antunes), ligada a Agora, dos Titãs - esta já gravada pelo compositor; passando pelos conterrâneos Dorival Caymmi – em História pro Sinhozinho, Sábado em Copacabana (com Carlos Guinle) e Canto de Nanã (que abre o disco numa alusão ao orixá ancião que representa o início de tudo)-, Roque Ferreira com Lágrima; e Roberto Mendes – Memória das Águas e Filosofia Pura (com Jorge Portugal) além da já citada Francisco, Francisco (com Capinan).


As águas de Bethânia também mergulham na cadência sincopada do samba, tanto o carioca - com o samba-enredo da Portela Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite (David Corrêa/ Jorge Machado) e Água de Cachoeira (Jovelina Pérola Negra/Labre/Carlito Cavalcanti)- quanto um legítimo representante do samba de roda baiano- com Santo Amaro (Roque Ferreira/Délcio Carvalho). As marchinhas de carnaval também têm vez com o medley A-la-la-ô (Haroldo Lobo e Nássara), Chiquita Bacana (Alberto Ribeiro e João de Barro), Chuva, Suor e Cerveja (Caetano), Água Lava Tudo (Paquito, Jorge Gonçalves e Romeu Gentil) e Frevo Molhado (Jaime Alem).


Da seara de grandes sucessos da cantora, estão Gostoso Demais (Dominguinhos), Você (Roberto e Erasmo Carlos) e Sob Medida (Chico Buarque). Ligando este verdadeiro relicário de ritmos, temas e Brasis trechos de Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Antonio Vieira (poetas que traduzem de forma muito peculiar a alma brasileira), além, é claro, dos poemas marítimos de Sophia de Mello Breyner.


Em Dentro do Mar Tem Rio, Bethânia celebra as águas que banham os sentimentos mais profundos: dos amores e desamores, da relação com a terra e tudo que dela emana, do enlace entre o sagrado e o humano, da reverência às próprias referências- “Meu Deus deixou de lembrança/ Na história dos sambaquis/Na fome da minha gente/E nos traços que eu guardo em mim/Minha voz é flecha ardente/ Nos catimbós que vivem aqui”, profecia em Kirimurê. As águas aqui funcionam como uma ilustração do Brasil captado e cantado por Bethânia, o que faz dela uma cronista do seu tempo e da sua gente. A cada canção, se emociona,assusta e comove com o que vê a sua volta. Termina indignada e contundente em Ultimatum (Álvaro de Campos) e Movimento do Barcos (Macalé e Capinan), mas a fé é redentora: “E tu Brasil? Blague de Pedro Álvares Cabral que nem te queria descobrir....Tudo que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro....Mas o que aí está não pode durar porque não é nada...[..] Não sou eu quem vai ficar no porto chorando não, lamentando...”. “E a sensação divina de dominar quem domina é que cura qualquer dor”.Cidadania pura...


Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Music for Tourists

Seguindo aquela linha "As canções que você fez para mim" de um dos posts anteriores, venho neste post falar sobre Chris Garneau e sua música. Americano, nascido em Boston, Chris Garneau aprendeu a tocar piano em Paris, onde foi morar com os pais aos 8 anos de idade, sendo, nesta época, influenciado pela música clássica. De volta aos Estados Unidos (e após a adolescência em Nova Jersey) entrou em contato com a cena musical independente de Nova York que, segundo o artista, faz parte de suas influências e, somado ao o que aprendeu na França, o formou.

Chris Garneau lançou seu primeiro álbum em 2006, chamado "Music for Tourists".

Em 2007 lançou um EP chamado "C-Sides".

Foi neste ano também, que algumas de suas músicas foram temas dos seriados norte-americanos Grey´s Anatomy e Private Practice. Atualmente prepara seu segundo álbum intitulado "El Radio"que deve ser lançado ainda este ano.

Fonte: www.musicadebolso.com.br

Assista abaixo o clip de Relief:

Saiba mais sobre Chris Garneau nos links abaixo:

www.chrisgarneau.com

www.myspace.com/chrisgarneau

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Maysa em minha casa

Finalmente saiu o DVD da minissérie "Maysa - Quando Fala o Coração". Sucesso absoluto de audiência, a minissérie emocionou com a história de um dos maiores ícones da música nacional. Intensa, ousada, transgressora, mas também sensível, romântica e talentosa. Maysa não era uma só, era muitas. E em tudo que fez, nos palcos ou fora deles, seguiu apenas seu coração.

Numa época em que tudo já estava decidido na vida de uma mulher, ela quebrou paradigmas, lutou pelos seus sonhos e ainda se tornou uma das maiores cantoras do Brasil. Para isto pagou um preço: foi duramente criticada pela imprensa, sofreu e fez sofrer.

O DVD triplo "Maysa - Quando Fala o Coração" traz o registro dessa emocionante minissérie e nos reserva ainda um disco exclusivo só de extras. Nele, encontarmos algumas relíquias inéditas da artista, como cenas do seu casamento com André Matarazzo, cenas de alguns shows internacionais e uma entrevista inédita.

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Do começo ao fim

Será lançado em breve o filme "Do começo ao fim", do diretor Aluízio Abranches - As três Marias (2002) e Um copo de cólera (1999) - que apresenta uma relação incestuosa entre dois irmãos.


Se a intenção do diretor for quebrar um grande tabu ou causar impacto, certamente este filme vai alcançar seu objetivo. No longa, o ator mirim Gabriel Kaufmann, de 07 anos interpreta Thomas, que mantêm uma relação de afeto por seu irmão Francisco (Lucas Cotrin).


Trata-se de uma paixão incestuosa e platônica, que vai se tornar real na fase adulta dos dois, quando Thomas e Francisco, aos 21 e 27 anos, vão se tornar amantes. A relação amorosa acontece logo após a morte de Julieta (interpretada por Júlia Lemmertz), em um acidente de carro.


Na fase adulta, os dois descobrem que, mais do que carinho entre dois irmãos, o que eles sentem é amor. Amor entre dois homens. Quem faz a fase adulta dos personagens são os atores Rafael Cardoso (Thomas) e João Gabriel Vasconcellos (Francisco).


O filme é o primeiro da produtora Pequena Central, de Marco Nanini e Fernando Libonati. Também traz no elenco os atores Fábio Assunção e Louise Cardoso. As gravações foram realizadas em Buenos Aires e no Rio de Janeiro e concluídas em setembro. "Do começo ao fim" ainda não tem data prevista para estréia.


Confiram o trailler abaixo:



Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Desta vez é em Brusque


Meu documentário “Domésticas para vida: quando o trabalho é na casa do outro” será exibido nesta sexta-feira (08), na Fundação Cultural de Brusque, às 19h15. A exibição fará parte das comemorações da semana do trabalhador realizada pela Fundação Cultural. O documentário mostra o dia-a-dia de três empregadas domésticas de Itajaí, suas dificuldades, sonhos e realizações. A produção é resultado do meu Trabalho de Conclusão de Curso em jornalismo na Univali. A Fundação Cultural de Brusque fica na Rua Pastor Sandrezcky, 200, Centro. A entrada é gratuita.


Em 2007 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontou a existência de mais de 06 milhões de empregadas domésticas em todo o país. Este índice representa 20% de toda a força de trabalho ativa do setor feminino no Brasil. As pesquisas revelaram ainda que as empregadas domésticas formam no país, um exército de quase cinco milhões de mulheres – apenas 6,84% são homens. Segundo a pesquisa, 61% delas não têm o ensino fundamental completo, estudam pouco, são de famílias pobres e costumam migrar para as grandes cidades em busca de uma vida melhor.


“Domésticas para vida: quando o trabalho é na casa do outro” é sobre três mulheres que moram a menos de 20 minutos de distância uma da outra. Apesar de trajetórias diferentes, elas têm em comum a profissão: são empregadas domésticas. Um trabalho que não é visto como uma carreira a ser seguida, mas uma sina, algo que o destino reserva para algumas pessoas. “Domésticas para vida: quando o trabalho é na casa do outro” não retrata as empregadas como vítimas, e sim como pessoas que exercem essa atividade porque precisam e outras porque gostam dela. Mostra ainda, que merecem reconhecimento pelo trabalho que desempenham.


No documentário as empregadas domésticas são as protagonistas da história. É para elas que as câmeras e a nossa atenção se voltam. Por meio das personagens Solange, Rose e Lourdes, o espectador entra no universo do trabalho doméstico para conhecer a luta, os preconceitos e as dificuldades que enfrentam no dia a dia para terem seus direitos reconhecidos.


Para Cláudia Mesquita, doutora em comunicação e estética do audiovisual pela USP e autora do livro “Filmar o Real: sobre o documentário brasileiro contemporâneo”, “Domésticas para vida: quando o trabalho é na casa do outro”, “trata-se de um filme que parte de um critério temático para a partir dele, selecionar as pessoas que serão filmadas e se transformarão em personagens. Isso permite uma certa concentração espaço-temporal (a chamada “cena”, a unidade de espaço e tempo) o que nos faz aprender não apenas a fala de cada personagem, mas o seu ambiente, o seu modo de se vestir, seus gestos, a atuação em casa e no trabalho. Cada uma é uma; cada uma corresponde a um bloco dentro do filme e cabe a nós, se pudermos e quisermos, estabelecer comparações entre elas”.


Ficha técnica:


Produção, Roteiro e Direção: Paulo Henrique de Moura

Direção de Fotografia: Paulo Henrique de Moura

Assistente de Direção: Ilana Coelho

Assistente de Produção: Herivelto Dias Correa Jr.

Imagens: José Fernando dos Santos e Pedro dos Santos

Som: Herivelto Dias Correa Jr. e Ilana Coelho

Edição e Finalização: Marlon Gamba

Projeto Gráfico: Júlio Castelain

Trilha: Paulo Henrique de Moura


Leia sobre a exibição no hagah.com.br:






http://www.hagah.com.br/cultura/jsp/default.jsp?newsID=DYNAMIC,com.rbs.hagah.EventDetailsDataServer,detalhes&template=3055.dwt&uf=2&local=18&regionId=13&produto=roteiros&ingrid=382078&date=3&category=&region=C81&query=